Amores Sonoros: nossa dose musical de amor preto

Amores Sonoros: nossa dose musical de amor preto

Olá, esta semana eu bati um papo muito bacana com a Ana GB e o Gustavo Alves. Eles são os maestros que orquestram toda a sinfonia da plataforma “Amores Sonoros”, que se dedica a compartilhar doses musicais de amor preto mundo afora. A gente até suspira só de imaginar o mundo todo embalado por esse propósito cheio de amor… Sem mais, fique com o bate papo 😉

Feitos De Música > Em primeiro lugar, eu quero saber qual a relação de vocês – Gustavo Alves e Ana GB com a música. O que a música significa para vocês e em que momento vocês decidiram trabalhar no universo musical?

Gustavo Alves

Eu sempre fui apaixonado por música. Desde criança meus pais e meu tio sempre me influenciaram com esse contato. Cresci escutando muito pagode, R&B e Racionais MC’s, no toca fitas do Chevette do meu tio. Na minha adolescência eu dançava alguns estilos de dança do hip-hop, cheguei a me apresentar no colégio algumas vezes.

Mais tarde participei de um grupo de pagode local, na cidade de Salvador, onde além de músico eu tomava a frente como manager da banda, junto com alguns amigos meus, o Henrique e o Ítalo. A verdade é que em um grupo / banda independente todo mundo acaba fazendo um pouco de cada coisa, ne? Hoje consigo perceber que apesar de todo nosso esforço e dedicação, nós fazíamos essa gestão de uma forma bem amadora, mas acabava dando certo e nos divertíamos bastante, e esse era nosso objetivo no final de tudo, rs.

Fiquei maravilhado com esse contato nos bastidores, no entanto, tínhamos o grupo mais como um hobby do que algo profissional, e acabamos não dando seguimento. Sou formado em Administração e sempre tive vontade de trabalhar nesse mercado, comecei a estudar mais a fundo a indústria musical e o marketing focado em artistas e na primeira chance que tive me joguei de cabeça. Hoje tenho atuado como marketing manager do artista DICERQUEIRA e estamos aqui construindo algo grandioso com o Amores.

Ana GB

Cresci com muita música nas festas de família, lembro que tinha muito samba, forró e reggae, eu amava ouvir fitas, vinil, CDs (sim, apesar de “nova” vi tudo isso rsrs). Quando meus pais compraram um computador lá para casa, o meu hobbie era ficar no Ares, 4shared procurando novos artistas e baixando músicas, dessa forma conheci muitas bandas que ouço até hoje, desse jeito a música veio me acompanhando a vida toda, sempre gostei de fazer tudo com o som ligado.

Quando cheguei nos momentos de decisões sobre o que fazer na universidade eu sabia que precisava ser algo na área de comunicação e cultura, pesquisei muito e encontrei o curso de Relações Públicas, iniciando percebi que eu podia concluir ele e ir muito além, desde 2016 estudo e trabalho na cena cultural de Salvador. O Amores hoje faz parte de quem eu sou e me trouxe muita coragem e força para realizar outras coisas que eu sonhava, iniciei a consultoria para artistas independentes e consegui lançar meu curso de primeiros passos para planejar a carreira na música, hoje atuo como produtora executiva e assessora dos artistas Yan Cloud e Rachel Reis.

Feitos De Música > Como surgiu a ideia de criar a plataforma / portal Amores Sonoros e como se deu o processo de escolha, definição deste nome incrível?

Gustavo Alves: O projeto surgiu de forma totalmente despretensiosa durante a pandemia, era uma sexta-feira à noite, no dia 15 de maio de 2020. Eu montei um grupo em um aplicativo de mensagem e mandei mensagem para a Ana e a Ariane (que não está mais no projeto), e como Ana já realizava um projeto parecido no perfil pessoal dela abraçou a ideia. Inicialmente a proposta era criar um perfil nas redes sociais com trechos de love songs, daí o nome “Amores Sonoros” . Assim como hoje, o intuito sempre foi falar de música independente do ritmo musical, época, regionalidade e nacionalidade, mas sempre com esse o recorte de ser música preta.

Ana GB: Como sempre buscava por novos artistas decidi fazer um quadro no meu perfil do Instagram chamado “Play com GB” onde eu divulgava novos artistas que eu tava escutando e em alguns momentos até conseguia entrevistas com eles. Então quando recebi o convite do Gustavo aceitei de primeira porque era a chance de realmente fazer o que eu sempre fiz, mas tendo outra pessoa para me ajudar nas pesquisas e produção de conteúdo. O que começou como forma de distração tomou uma proporção maior, vendo o potencial da página e como a proposta poderia ir além de algo temporário, o Amores Sonoros se transforma num portal que produz conteúdo, cria comunidade, oportunidades, entre outras ações.

Feitos De Música > Do ponto de vista de vocês, o que significa curadoria e como se dá o processo de curadoria musical da plataforma Amores Sonoros?

A curadoria vem do verbo curar que significa aquele que zela e cuida de alguma coisa, que dá atenção. E é dessa forma que se dá o nosso processo, nos permitimos ouvir de tudo, clicamos naquele link desconhecido que às vezes faz a gente simplesmente pular a faixa ou nos surpreende, o que não quer dizer que aquela faixa que não bateu tanto em um também não vai bater no outro, então compartilhamos da mesma forma.

Nós consumimos e pesquisamos diariamente muito sobre música e o mercado musical, nessa troca fica inevitável a descoberta desses novos artistas. Uma das melhores dicas é se permitir rolar o aleatório do Spotify em playlists de novidades, deixar o YouTube rolar também clicando num artista que você não conhece direito, os algoritmos vão nos levando para uma viagem musical. Além de termos um formulário de mapeamento onde já temos mais de 120 artistas cadastrados e que tem sido uma experiência muito boa.

Feitos De Música > Em que consiste esse mapeamento de artistas que o portal Amores Sonoros faz e por que é interessante para os artistas fazerem parte desta rede?

O mapeamento de artistas pretos que é feito pelo Amores Sonoros já nos ajudou a nos conectar com mais de 120 artistas pelo Brasil e mundo, atualmente tem nos servido para curadoria do nosso quadro “Amores Independentes” que acontece em nossas mídias no Instagram e Twitter e também para nossa playlist de mesmo nome.

Além disso, estamos desenvolvendo outras ações/braços dentro do projeto em que aproveitamos esse mapeamento para entender como podemos trazer mais visibilidade e oportunidades para esses artistas que se conectam conosco, porque nele não perguntamos apenas o que fazem, queremos saber em que fase está a carreira desse artista, se já tem cadastro em uma associação, se tem distribuidora, quais são os desafios que ele (a) enfrenta no mercado da música, entre outros questionamentos.

Feitos De Música >Toda semana apresento – Novos Singles – alguns lançamentos de artistas com intuito de ampliar o alcance de suas artes. Sei que vocês também o fazem, e que possuem playlists lindas com o sucesso destes. Como funciona a curadoria e a periodicidade destas?

Iniciamos com playlists separadas por gêneros musicais, mas depois de um tempo decidimos dar uma cara mais profissional, um conceito mais editorial a essas playlists. Daí surgiram todas que existem hoje.

Na playlist “Amores 360”, a curadoria é feita semanalmente, e vamos intercalando entre nós e nossos parceiros convidados para seleção dessas faixas. São convidados que participam de alguma forma do cenário musical como beatmakers, produtores musicais, músicos, deejays, etc, que assim como os artistas também sofrem com a invisibilização da indústria.

Na playlist Amores Independentes, a curadoria é feita por nós e se dá através da seleção de artistas que nos conectamos com o nosso formulário “Mapeamento de Artistas Pretos” e pesquisas pelas mídias sociais. A atualização dessa play é feita mensalmente e também convidamos esses artistas para estamparem a capa dessa playlist.

Gostamos de pensar no coletivo, acreditamos na força da nossa comunidade, e a partir disso criamos a playlist “Cena Preta”. O objetivo dessa playlist é nos conectarmos com públicos para além do cenário musical e criarmos um espaço de troca, então convidamos toda e qualquer pessoa que faça parte da comunidade preta, sejam elas influenciadores,
empresários, produtores de conteúdo, artistas plásticos, enfim, que assim como nós também curtem música preta, possam mostrar a sua identidade através da seleção dessas faixas e ocupar esse nosso ambiente, a atualização desta playlist é feita quinzenalmente.

E temos nossa mais recente, a “Amores Sonoros”, onde depositamos a nossa essência. Essa playlist mostra como e onde tudo começou, com lovesongs, a curadoria é feita por nós e sua atualização não tem uma periodicidade definida.

Feitos De Música > O que podemos esperar de novidades da turma Amores Sonoros para 2021?

Além de muito conteúdo de qualidade como sempre, terão novas parcerias, colabs com outros canais que falam sobre música. Para quem não sabe, o Amores foi dividido em três fases, estamos passando pela primeira que é a produção de conteúdo, estamos fazendo testes, ouvindo os feedbacks de todo mundo, tentando melhorar diariamente a entrega. Até o final do ano pretendemos dar início a nossa segunda fase, onde vamos disponibilizar alguns serviços como consultoria, mentoria, workshops, entre outros.

Feitos De Música > Que música define a essência do portal Amores Sonoros?

Todas, impossível definir uma música, é como se fosse um sentimento, é o nosso elo, nossa conexão, são as nossas vivências cantadas e também aquelas que gostaríamos de experimentar, não existe uma linha específica que nos determine por inteiro, bebemos de muitas canções. Amores é pluralidade, diversidade, somos doses musicadas de amor preto em expansão e sempre estamos em movimento.

Uau! Estou ainda mais encantado com o projeto “Amores Sonoros”, mas sobretudo, pelos profissionais talentosíssimos que idealizaram e o mantêm no ar. Parabéns Ana GB e Gustavo Alves por nos brindarem com essas doses infinitas e necessárias de amor preto em forma de arte, de amor… de música.

Ah! Para você ficar por dentro de tudo que está chegando de novidade na plataforma, basta seguir o perfil deles clicando aqui e também procurar e seguir o perfil deles em sua plataforma de streaming preferida 😉

Abração e até a próxima,

Cristiano De Jesus

Cristiano De Jesus

Eu, comunicador e sonhador, filho da Dona Rosa e do Sr. João que, enquanto admira às belezas da vida, ouve boas histórias e muitas músicas para criar sua própria trilha sonora.

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