Filipi Dahrlan: o fotógrafo que está desbravando os novos palcos das festas virtuais

Filipi Dahrlan: o fotógrafo que está desbravando os novos palcos das festas virtuais
Filipi Dahrlan

O bate-papo de hoje é com o querido fotógrafo Filipi Dahrlan. Ele que é publicitário, mas que se encantou com a fotografia durante o curso, e vem seguindo este caminho lindo ao captar a essência das pessoas – seja no universo da moda ou da música – através das imagens.

Aqui ele nos conta como a fotografia entrou em sua vida, de como esta sendo desbravar as festas virtuais que estão acontecendo mundo afora e qque o preciosismo em relação à qualidade técnica, pixels, etc… não importam tannto neste contexto. O importante é transmitir emoção. Sem mais, fique com a entrevista abaixo.

Revista Feitos De Música > Você lembra qual foi a sua primeira experiência como fotografo?

Filipi Dahrlan > Eu me lembro de muito novo ter ganhado uma câmera de aniversário, acredito que eu tinha uns 10 anos, fiz vários retratos neste período, mas nunca revelei rs. Depois que entrei para a faculdade de Publicidade, tive uma matéria sobre fotografia e a partir dali busquei explorar este universo, fiz meu primeiro curso no Ateliê da Imagem e comecei a fotografar pessoas. Em seguida tive a oportunidade de trabalhar com moda, registrar também eventos, mas sempre buscando retratar a essência das pessoas nestes universos.

Revista Feitos De Música > Você também deve estar com saudades de sair de casa, de ir aos eventos para fotografar. O que tem feito neste período de distanciamento – físico – social?

Filipi Dahrlan > Sim, bastante saudade de sair, encontrar amigos, abraçar… Mas eu tenho aproveitado para ler, ver documentários, ouvir música, me conectar mais comigo mesmo, interagir mais com minha família e também tenho me jogado nas festas onlines.

Dj Esdras – @deo.jorge

Revista Feitos De Música > Por conta deste período de distanciamento social, já vi alguns registros sendo feitos através das telas. Ensaios de moda, ensaios de afeto como o que você estava fazendo através da #facetoface e também eventos via aplicativos como o Zoom – que você também já teve a oportunidade de participar e fotografar. Conta pra gente um pouco desta experiência de registrar eventos neste novo formato e o que muda em relação à estética das imagens.

Filipi Dahrlan > Eu estou curtindo esta nova experiência não só de fotografar, mas de curtir as festas onlines. Um amigo DJ Esdras (@deo.jorge) que mora em NY já faz há algum tempo as festas O/nda e a D/Boa, onde reúne alguns amigos e além do reencontro virtual, tem como objetivo Arrecadar fundos para imigrantes brasileiros em situação de vulnerabilidade, pois estão sem trabalhar por conta do isolamento social.

É um ambiente novo, onde eu como fotógrafo ainda estou descobrindo. Pois cada convidado está um ambiente, cômodo diferente, com uma luz e ou sem luz suficiente. E isso faz com que seja bem instigante e desafiador conseguir fazer os registros.

Ao contrário do que se espera de fotos em festas, com foco total na imagem perfeita, aqui eu tenho somente o poder de contar a história através da energia de cada convidado. Os cliques nem sempre ficam 100% visuais, mas eles trazem a personalidade do convidado, a emoção de estar ali confraternizando com os seus mesmo que distante, mesmo sem certezas do que será do amanhã. E eu estou amando a experiência de poder treinar meu olhar cada vez mais e contar estas histórias através da fotografia.

Revista Feitos De Música > Quais as principais mudanças você acha que a indústria da música e do audiovisual apresentará após distanciamento social?

Filipi Dahrlan > A única constante é a mudança. Sempre foi, mas que agora está cada vez mais veloz. Neste período de distanciamento social, sofremos com a distância dos nossos amigos, familiares e as empresas dos seus clientes. Toda empresa, seja em qual área atue, precisa se adequar a esta nova realidade, ser relevante, útil para que seus clientes vejam valor no que ela entrega.

Para o segmento do audiovisual e ou fotografia a mesma coisa. Mas por serem áreas criativas, acredito que vá surgir cada vez mais formatos para serem explorados como já vem acontecendo desde inicio da quarentena com as lives, as festas onlines e as fotografias virtuais.

Festa D/Boa por Filipi Dahrlan

Revista Feitos De Música > Quando você pensa em fotografia e música, o que lhe vem de pronto na cabeça? Qual o poder da fotografia no universo musical?

Filipi Dahrlan > A relação entre música e fotografia é muito íntima. Muitos artistas construíram suas carreiras usando a imagem como ferramenta de expansão da sua voz. Como, por exemplo, a Madonna, que na época do álbum Erótica, também lançou o livro Sex (um livro de fotografias assinadas pelo Steven Meisel) onde ela conta suas fantasias sexuais. Isso sem falar das capas de disco, editoriais pra revistas, etc.

Eu me inspiro muito em artistas com esse cuidado estético como o Bowie, Bjork, Lady Gaga e a própria Madonna.

Festa D/Boa por Filipi Dahrlan

Revista Feitos De Música > Já passou algum perrengue durante um job. Se sim, pode compartilhar qual foi e como conseguiu contornar?

Filipi Dahrlan > Já sim, acho que todo fotógrafo já passou por diversas situações em que pensou que não ia conseguir entregar o material. Mas, uma situação que me ocorreu, foi de estar no Copacabana Palace para fotografar uma atriz incrível da nossa teledramaturgia e a produção dela atrasou, com isso perdemos o intervalo para as fotos, pois ela já tinha que estar presente no evento que já havia iniciado. Então tive que ir fazendo as fotos pelos corredores, sem o cenário já pré-estabelecido, no meio da confusão buscando um recorte para que só ela saísse nas fotos como solicitado no briefing. Foi uma loucura, mas consegui atender. O importante é ser confiante, respirar fundo e manter a calma que no final, tudo dá certo.

Revista Feitos De Música > Quais as principais dicas que pode compartilhar com quem esta começando a fotografar?

Filipi Dahrlan > Além da técnica é muito importante se interessar por artes plásticas, cinema, literatura, música… Tudo isso vai criando um repertório que acaba sendo impresso no trabalho e ajuda a criar sua identidade profissional.

Te indico (até três fotógrafos que você admira e que a gente deve conhecer)

Pessoa > Vivien Maier > uma babá que passou a vida fotografando no anonimato e seu trabalho foi descoberto, por acaso, depois que ela morreu.

Moda > Helmut Newton > se destacou ao registrar a expressividade das roupas e criar potentes imagens de moda com retratos de mulheres nuas.

Música > Cristina Granato e Marco Antônio Cavalcanti > Dois gênios que registram boa parte da história da MPB

Obrigado pelo bate-papo Filipi e para você que deseja conhecer ainda mais o trabalho dele, basta seguir o perfil dele no Instagram > @filipidahrlan .

Abração e até a próxima.

Cristiano De Jesus

Cristiano De Jesus

Eu, comunicador e sonhador, filho da Dona Rosa e do Sr. João que, enquanto admira às belezas da vida, ouve boas histórias e muitas músicas para criar sua própria trilha sonora.

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