Na pista com o DJ Zeh Pretim

Na pista com o DJ Zeh Pretim
DJ Zeh Pretim, reprodução arquivo artista.

Olá,

Estou de volta com mais um bate-papo incrível. Desta vez, com ele que é considerado um dos DJs mais queridos e dono do baile mais celebrado da cena carioca. Estou falando do Paulo de Castro, mas com toda certeza você o conhece como Zeh Pretim.

Ele que nesses quase 10 anos de carreira, já rodou por alguns países como USA, Grécia, Italia. Já abriu shows do Criolo a João Donato, de Marcelo D2 a Snoop Dog, tocou no Rock in Rio2017 e também produziu alguns eventos como a festa do Prêmio Multishow 2016 e 17, todas as edições da Adidas Do Over no Rio de Janeiro, entre outras. E hoje tem o programa A Hora do Brzzil na rádio Mood FM 104.5.

Zeh Pretim, reprodução Assessoria. Foto de Fernando Veler

Revista Feitos De Música > Como a música entrou em sua vida te levando a atuar com ela de forma mais profissional?

DJ Zeh Pretim > O início da minha carreira foi em 2001, quando eu produzia e editava filmes de surf, de esportes radicais e sempre precisava sair em busca de artistas pra usar nas trilhas, sempre buscava por novos talentos ou tracks não populares para não desviar o foco das imagens. Mas foi em 2007, ao sair da agência de design, que tive mais tempo livre, e acabei fazendo a comunicação visual de algumas festas, shows. O que me fez circular mais pelos eventos, cenas e com o tempo livre, comecei a me dedicar à carreira de DJ.

No início tocava naqueles horários que não tinha ninguém na pista, fui me conectando a outros DJs, tive o Zedoroque como padrinho de toca-discos e fui em busca de conhecimento, pesquisa, entender a profissão mesmo. Em 2011 meus amigos colocaram a pilha de fazermos uma festa no meu aniversário, dai surgiu o Baile do Zeh Pretim, que ao longo de oito anos rodou por mais de 60 edições pelo Brasil inteiro, além de uma edição no Uruguai.

Quando comecei minha carreira eu gostava mais de Indie Rock e Hiphop, além da música brasileira é claro. Nunca gostei dos DJs que tocavam apenas um estilo musical em seus sets, pois parecia que era a mesma música o set inteiro, sempre gostei de contar uma história musical em minhas performances além é claro de surpreender o público. Mas atualmente o que me faz feliz é a música brasileira dançante.

Revista Feitos De Música > Quais os artistas que você admira e que exercem influências em seu trabalho como produtor e DJ?

DJ Zeh Pretim > DJs, eu sou muito fã do DJ Nepal, Zegon, Sany Pitbul, Nuts, Negralha, Tamenpi, além do meu padrinho Zedoroque. Lembro que antes de pensar em ser DJ, já admirava o Nepal, por exemplo, o cara brilhava em festa de música eletrônica, Hip-Hop ou até de Rock, achava foda ver um DJ transitando dessa maneira e sendo respeitado.

O Zegon, além da técnica, qualidade, etc. Para mim é um exemplo de reinvenção, o cara está no topo há tempos, desde sempre, seja com Planet, etc. E “do nada” surge com o Tropkillaz, um trabalho autoral foda. É o mestre.

Músicos, João Donato, Marcelo D2, Bnegão, Hamilton de Holanda. Estes caras são referências.

Revista Feitos De Música > A sua estréia como DJ, foi ao produzir a sua própria festa de aniversário de 30 anos, em 2011, e de lá pra cá não parou mais. Você sentiu aquele tradicional frio na barriga, ou por ser uma festa para amigos estava tranquilo? 

DJ Zeh Pretim > Eu já havia tocado em outras festas, porém fiquei mais conhecido com o baile mesmo. Eu sou muito tenso, fico com frio na barriga até hoje, fico inseguro… subir ao palco seja no Rock in Rio ou numa festinha em casa, o frio na barriga para mim é o mesmo.

Me preocupo muito em entregar um bom trabalho, em ser o melhor a cada set.

DJ Zeh Pretim, reprodução assessoria

Revista Feitos De Música > Após o sucesso da sua festa de aniversário, você efetivou o “Baile do Zeh Pretim”, se estabeleceu como DJ e trouxe uma nova era para as festas do Rio de Janeiro. Você esperava todo esse sucesso em tão pouco tempo?

DJ Zeh Pretim > Não. As coisas aconteceram muito rápidas, um furacão… Um dia eu pensei “pô, to bebendo de graça quando eu só gastava dinheiro”, depois “caramba, agora ganho dinheiro também sendo DJ” e, hoje, “que orgulho em poder falar que DJ é minha profissão, que ganho a vida assim”. O que tornou a ‘brincadeira’ séria e mais responsável, porque antes eu ia às festas pra me divertir, agora, mesmo as que eu não toco, vou com uma visão de trabalho, sempre com um olhar crítico sobre o que está acontecendo, as cenas, sempre em busca do que posso trazer pro meu público ou pro meu trabalho.

Revista Feitos De Música > MusicBrand ou identidade musical, sonora é uma estratégia muito comum, gera bem-estar e uma identificação especial com a marca, quando se visita o espaço dela. Que critérios você leva em consideração para criar uma playlist para uma marca?   

DJ Zeh Pretim > Muitas pessoas acham que a música que elas gostam é a música que usariam para suas marcas e acabam agindo assim na hora de aprovar a identidade musical ou fazer um briefing, o que é completamente errado.

Como designer, aprendi muito a desenvolver identidade visual, conhecer a marca, os pilares, o propósito para poder criar algo. E com a música não pode ser diferente. Para você montar a identidade musical, você precisa estar conectado com a essência da marca e ir atrás de artistas que representem e que façam sentido.

Eu comecei a mergulhar nisso quando abri um restaurante na zona sul do Rio chamado Esquina 111. Um dia antes de abrir, fizemos uma comemoração entre os sócios e um amigo colocou seu computador e algumas músicas que não tinham a cara da casa. Eram boas, mas sem conexão e de cara veio um público atrás da música.

Naquele momento percebi que tinha que me preocupar muito com o conceito musical, pois para mim a música em lojas ou em restaurantes não pode chamar muita atenção, mas precisa ser notada.

Por exemplo, imagine você em uma loja de roupas. Seu foco é escolher as roupas e a música funciona como um pano de fundo, te envolvendo sem que você perceba, te acalmando, te direcionando para a atmosfera da marca e quando você menos perceber já vai estar interessado em conhecer a trilha sonora. Sabe quando você está em algum lugar, ouve uma música e pensa “que musica boa, que som é esse?” esse pra mim é o maior gol.

Revista Feitos De Música > Como produtor e criativo como planeja a produção do seu set para os eventos? É intuitivo, ou você já tem algum “segredo” para surpreender o público da festa que vai animar?

DJ Zeh Pretim > É bem intuitivo, sou contra levar set pronto, acho que DJ precisa ser versátil, diferente de uma banda que você precisa seguir um repertório, afinal, são anos de ensaios… O DJ tem uma gama de grooves e sonoridades para surpreender o público.

Eu sempre procuro chegar cedo para os meus sets, faço questão de passar o som antes de o evento começar, chegar assim que a casa abre para entender o público, o que os outros DJs andam fazendo. E durante o set, eu vou quase que como uma pescaria, entendendo o que o público quer, pra onde ir… É a energia da pista me guia.

Na pista com o DJ Zeh Pretim

Revista Feitos De Música > Você está na rádio MoodFm 104,5 – comandando o programa A Hora do Brzzil, junto com outro DJ incrível que é o Zedoroque. Como surgiu o convite e o que te fez aceitar participar deste projeto?

DJ Zeh Pretim > Eu nunca pensei em ter um programa de rádio. Mas na minha vida, procuro sempre abrir portas, me testar, encarar desafios e desta vez não foi diferente. Eu e Zedoroque temos um projeto chamado Brzzil, uma festa que criamos durante as olimpíadas do Rio, com a idéia de só tocar músicas brasileiras de diferentes vertentes, livres, com compromisso de qualidade e dançante.

Quando Rominho e Liporase montaram a Mood, entenderam que a Brzzil faria sentido pra rádio e nos convidaram, abriram as portas para ser então o único programa. O programa é diário e ao vivo, temos que pesquisar cada vez mais sobre música, é osso, haja música! Já estamos lá há um ano e quero ficar por mais 10, 20 anos. Nunca imaginei que gostaria tanto disso.

Revista Feitos De Música > O que ainda falta para você conquistar como DJ? Por exemplo, tocar em algum lugar específico, produzir com algum artista especial? 

DJ Zeh Pretim > Eu montei um remix da música “Menina Veneno” do Ritchie com Zedoroque no estúdio do Marcelinho da Lua, isso me fez ter vontade de produzir, preciso achar tempo, quero aprender a produzir, é meu sonho.

Ser Feito De Música é…? É você fechar os olhos e se conectar com outro mundo.

Revista Feitos De Música > Em sua opinião, quais os maiores desafios que atuar como DJ traz? E que “conselho” você daria, para alguém que está interessado em iniciar nesta área?

DJ Zeh Pretim > Se reinventar o tempo todo, é uma carreira dinâmica, bem veloz. Para quem está começando é preciso conhecimento, estudar bastante.

Ser DJ não é só apertar o play. É sobre entender cenas e culturas. É sobre inovar, entregar conteúdo musical.

Bem, chegamos ao fim de mais um bate-papo e espero que tenham curtido tanto quanto eu. Para você saber mais sobre a agenda, os eventos que o DJ Zeh Pretim vai tocar, produzir, basta seguir o IG @zehpretim no Instagram.

Abração e até a próxima.

Cristiano De Jesus

Cristiano De Jesus

Eu, comunicador e sonhador, filho da Dona Rosa e do Sr. João que, enquanto admira às belezas da vida, ouve boas histórias e muitas músicas para criar sua própria trilha sonora.

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